| Vanessa Chande, em Porto Alegre, Brasil |
|
Já lá vai muito tempo… desde o dia em que cheguei ao Rio Grande do Sul, no Sul Brasileiro. No fim deste primeiro ano senti que era altura de parar e pensar. Voltar a pensar no sentido da minha missão. No porquê de estar 2 anos num país longínquo, deixando pais, amigos e familiares. E, ao ler a última encíclica do Papa Bento XVI, encontrei, de uma forma renovada, a resposta a este meu apelo missionário. Diz assim: “Esta liberdade diz respeito não só ao desenvolvimento que usufruímos, mas também às situações de subdesenvolvimento, que não são fruto do acaso nem de uma necessidade histórica, mas dependem de uma responsabilidade humana. É por isso que «os povos da fome se dirigem hoje, de modo dramático, aos povos da opulência».
Também isto é vocação, um apelo que homens livres dirigem a homens livres em ordem a uma assunção comum de responsabilidade.” (Bento XVI, in Caritas in Veritate, nº17). É a minha fé que origina e impulsiona o meu apelo missionário. É uma vocação e, como tal, não é escolhido mas simplesmente recebido! Nestes últimos 3 meses, vivi emoções muito fortes e a ida ao Asilo da Betânia foi uma delas. Quando chegámos, não pude deixar de fazer o meu diagnóstico. O meu olhar de Assistente Social falou mais alto e pude verificar imediatamente algumas deficiências ao nível da organização, a falta de uma intervenção técnica, etc. No entanto, fui rapidamente surpreendida com o amor com que as funcionárias tratavam cada um dos utentes. Os olhos delas enchiam-se de lágrimas quando viam a alegria de todos eles cantando e dançando no pátio, após o lanche (apenas um bolo e alguns refrigerantes) que tínhamos feito no refeitório. Foi uma presença muito bonita e muito simples junto de cada um deles. Fez-me pensar novamente sobre a minha missão e entendi mais uma vez que, apesar da missão formal, com as crianças e famílias da pastoral da criança e com as crianças do “Crescer”, a minha missão é fundamentalmente ser este rosto da Igreja, esta presença simples e alegre junto de todos, estando disponível para todas as situações e novas oportunidades que Deus for colocando no meu caminho.
Já vos falei do início de um projecto com os adolescentes em Alvorada. Dando ainda os primeiros passos e à procura do seu próprio caminho, este trabalho tem-me enchido de alegria pela sua profundidade e pelos resultados já obtidos. O grande objectivo deste projecto, é proporcionar aos adolescentes um espaço adequado às suas necessidades. Tem sido um tempo experimental, mas com a experiência destes primeiros meses de trabalho com os adolescentes, a equipa pretende elaborar um projecto a partir do próximo ano. O projecto chamarse- á “Construindo Caminhos” e deve envolver pessoas externas ao Centro com experiência no trabalho com adolescentes. Tudo para minimizar o ambiente de violência que ronda estes adolescentes por onde eles passam, promovendo um futuro com dignidade e, acima de tudo, acreditando neles, que eles são capazes! |